quinta-feira, 16 de agosto de 2007

O mistério do Triângulo das Bermudas

Ele não existe em nenhum mapa oficial e não tem como saber como podemos chegar até ele. Mas, de acordo com alguns estudiosos, o Triângulo das Bermudas é um lugar que realmente existe e onde dezenas de navios, aviões e pessoas desapareceram sem qualquer tipo de explicação racional.

Desde que uma revista usou pela 1ª vez a frase "Triângulo das Bermudas", em 1964, esse mistério tem atraído a atenção de todos. No entanto, ao pesquisar a maioria das casos a fundo, eles se tornam muito menos misteriosos. Geralmente os desaparecidos nunca estiveram na área do Triângulo, ou acabaram sendo encontrados ou há uma explicação razoável para o desaparecimento.

Isso quer dizer que não há nada de coerente nas alegações de que tantas pessoas tiveram experiências estranhas no Triângulo das Bermudas? Não necessariamente.
Os cientistas já documentaram desvios de padrão na área e encontraram algumas formações interessantes no leito oceânico dentro da região do Triângulo das Bermudas. O que significa que para aqueles que querem acreditar, há bastante lenha para a fogueira.

Muitos pensam no Triângulo das Bermudas, também conhecido como Triângulo do Diabo, como uma área "imaginária". O Board of Geographic Names (Comissão de Nomes Geográficos) dos EUA não reconhece a existência do Triângulo das Bermudas e não possui um arquivo oficial sobre ele. No entanto, dentro dessa área imaginária, muitos navios de verdade e as pessoas que estavam a bordo deles parecem ter desaparecido sem deixar explicações.

O Triângulo das Bermudas fica próximo à costa do Sudeste dos Estados Unidos, no Oceano Atlântico, e suas extremidades atingem as proximidades de Bermuda, Miami, Flórida e San Juan, em Porto Rico. Ele cobre cerca de 1,295 milhão de quilômetros quadrados.

A área pode ter recebido esse nome por causa de sua extremidade que fica próxima à Bermuda, que já foi conhecida como a "Ilha dos Demônios". Nas redondezas desse país, há recifes traiçoeiros que encalham barcos que navegam nas proximidades.

Qual é o mistério?

Nos últimos 100 anos, o Triângulo das Bermudas foi o local onde aconteceu um número absurdo e significativamente alto de desaparecimentos inexplicáveis de aviões, navios e pessoas. Alguns relatórios dizem que até 100 navios e aviões desapareceram na área, com mais de mil vidas perdidas. A guarda costeira dos EUA, no entanto, alega que a área não tem um número incomum de incidentes.

Em 1975, Mary Margaret Fuller, editora da revista "Fate", entrou em contato com a Lloyd, de Londres, para saber as estatísticas de pagamentos de seguros por incidentes que haviam ocorrido dentro dos limites do Triângulo. Ela descobriu que, de acordo com os registros da Lloyd, 428 navios sumiram no mundo todo entre 1955 e 1975, não havendo nenhuma incidência maior de eventos no Triângulo das Bermudas do que no resto do mundo.

O mistério do Triângulo provavelmente começou com o 1º desaparecimento a tomar um bom espaço na mídia, em 1945, quando 5 aviões Avengers da marinha norte-americana desapareceram na área. Embora o motivo do desaparecimento originalmente tenha sido definido como "erro do piloto", os familiares do piloto que liderava a missão não aceitaram que ele havia cometido aquele tipo de erro e acabaram convencendo a marinha a mudar o veredito para "causas ou razões desconhecidas".

Mas o mito do Triângulo ganhou evidência após o repórter E.V.W. Jones ter compilado uma lista de "desaparecimentos misteriosos" de navios e aviões na região que se estende entre a costa da Flórida e de Bermuda. Dois anos depois, George X. Sand escreveu um artigo para a revista "Fate" com o título "Mistério marítimo na porta do nosso quintal". O artigo falava sobre uma "série de estranhos desaparecimentos marítimos, os quais não deixavam qualquer tipo de rastro, que ocorreram nos últimos anos "em um "triângulo sobre o mar cujas fronteiras são as proximidades da Flórida, Bermuda e Porto Rico".

Conforme mais incidentes iam ocorrendo, a reputação do lugar aumentava e eventos antigos eram analisados novamente e somados à lenda. Em 1964, a revista "Argosy" batizou o triângulo em um artigo com o nome de "O letal Triângulo das Bermudas", de Vincent Gaddis. O slogan da revista que dizia ser "sobre ficção", não impediu que o mito se espalhasse. E, então criaram-se mais artigos, livros e filmes, cada um sugerindo uma nova teoria que ia de abduções alienígenas a polvos gigantes.

Casos recentes

Nos dias de hoje, em que a orientação por GPS é muito utilizada, é difícil imaginar que um navio ou avião possam realmente desaparecer. Mas isso não quer dizer que não houve alguns desaparecimentos recentes atribuídos ao Triângulo das Bermudas:
  • DC-3 N407D, sumiu em 21 de setembro de 1978;
  • Fighting Tiger 524, sumiu em 22 de fevereiro de 1978;
  • Beechcraft N9027Q, desaparecido em 11 de fevereiro de 1980;
  • Ercoupe N3808H, sumiu em 28 de junho de 1980;
  • Beech Bonanza, sumiu em 5 de janeiro de 1981;
  • Piper Cherokee N3527E, desaparecido em 26 de março de 1986;
  • Grumman Cougar Jet, último contato realizado em 31 de outubro de 1991;
  • barco a motor Jamanic K, desaparecido quando ia de Cape Haitian para Miami, em 20 de março de 1995;
  • o barco a motor Genesis, que sumiu no caminho de Port of Spain, em Trinidad, para St. Vincent, em 21 de abril de 1999;
  • Cessna 210, desapareceu do radar quando ia de Freeport a Nassau, em 14 de junho de 1999.

Teorias bizarras (Alienígenas e Atlântida)

Por se tratar de uma das áreas com a maior incidência de aparições de OVNIs, não se admira que as abduções alienígenas tenham se tornado uma explicação popular para os desaparecimentos ocorridos no Triângulo das Bermudas. Mas elas não são a única teoria, há quem já tenha teorizado que o local é um portal para outros planetas. Mas por que essa área específica?

Muitos acreditam que a área do Triângulo das Bermudas é o local da cidade perdida de Atlântida e dos restos de suas avançadas tecnologias. O famoso paranormal Edgar Cayce disse que a Atlântida já possuía muitas das tecnologias que julgamos modernas, incluindo uma arma letal de raios que teria destruído a cidade, ainda de acordo com Edgar. Há até os que dizem que os habitantes de lá eram uma raça alienígena proveniente do aglomerado estelar das Plêiades.

Cayce previu que pesquisadores descobririam o limite ocidental da Atlântida perto da costa de Bimini, nas Bahamas, e eles realmente encontraram uma "estrada" de pedras no local em 1968. Mas os primeiros pesquisadores e arqueólogos que estudaram o local, conhecido como "Estrada de Bimini", logo o consideraram como uma ocorrência natural.

No entanto, investigações recentes descobriram evidências que parecem sustentar a idéia de que as pedras foram moldadas e colocadas lá para formar uma parede. E essa descoberta de uma possível cidade submersa próxima de Cuba só vai aumentar o ímpeto dos que apóiam a teoria da Atlântida.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Viva o americano médio!

"Eu sempre me perguntei se Deus existia. Agora eu sei que ele existe - sou eu!"

Não, não foi George W. Bush nem Tom Cruise quem disse isso. Foi Homer Simpson, depois de algumas cervejas. O pai barrigudo e egocêntrico do desenho Os Simpsons é o retrato mais fiel do americano médio que o mundo já viu.

Religioso, glutão de fast food e viciado em esportes que quase ninguém pratica além de suas fronteiras, o tal americano médio mora no interior do país e a, no máximo, 20 minutos de distância de um supermercado Wal-Mart.

Nos fins de semana, assiste a uma longa partida de beisebol, depois da missa. Para manter o corpinho inchado, devora sanduíches que estão 23% maiores que os de 20 anos atrás. Para ajudar a descer, os refrigerantes aumentaram 52% no mesmo período. Resultado: o americano médio engordou 5 quilos desde os anos 80.

Esse cidadão, que eles chamam de John Doe, ou Zé Mané, tem certeza de que a língua falada no Brasil é o espanhol. Já ouviu falar do Carnaval - e pára por aí. Exatos 52% dos cidadãos do país com renda per capita anual de 44 200 dólares por ano não sabem que a Terra leva 365 dias para dar uma volta em torno do Sol.

O americano médio apóia a guerra, mas não gasta mais do que 7 minutos por semana pensando nisso. O jornal mais lido dos Estados Unidos é o USA Today, notável por seus textos curtos, gráficos e mapas e que tem mais de 2 milhões de leitores todo dia. John Doe ama sua TV. Quatro em cada cinco já dispararam armas de fogo e 84% têm muito orgulho de ser americanos.

American way, o jeitinho deles

Como vive, se alimenta, transa e faz compras

TV

O americano não vive sem ela: ele tem pelo menos três aparelhos em casa. Por dia, sua TV fica ligada durante 7 horas e 13 minutos. Quando fizer 70 anos, já terá desperdiçado de sete a dez anos em frente à TV. Só de comercial, será um ano inteirinho. Cerca de 70% das creches têm salas de TV. Os pais não podem reclamar: gastam 3 minutos por semana falando com os filhos.

No mesmo período, as crianças passam 1 680 minutos na frente da TV, em média.

Carro

Todo americano médio tem um carro grande. Grande, não: enorme. As pesquisas mostram que 89% das famílias têm um ou mais na garagem. Depois de casa e comida, o carro é o que mais come seu salário. Durante toda a vida, ele vai gastar entre 240 mil e 350 mil dólares com sua paixão. 9 entre 10 viagens são feitas sobre quatro rodas.

Sexo

Os americanos têm um troço com banheiro: 70% deles dizem ter feito (ou "do it", como eles dizem) na pia ou no vaso sanitário. Mas o lugar preferido de 9 entre 10 casais americanos é mesmo o banco de trás de um automóvel.

Esporte

Futebol é coisa de mulher. Homem que é homem joga futebol americano, hóquei, beisebol e basquete. O atleta que ele admira corre, pula, se joga, derruba e, acima de tudo, bate. Uma pesquisa da NBA (a liga que organiza o basquete) mostrou que 40 dos 66 atletas premiados no ano passado estão entre os mais agressivos. Os comentaristas de esporte adoram usar linguagem de guerra ao descrever o que acontece nos campos. Para o americano, quanto mais violência em jogo e comida na arquibancada, maior é a diversão.

Drogas

Os americanos são os maiores consumidores de cocaína e heroína e os Estados Unidos são maiores produtores de metanfetamina. Um em cada dois americanos já fumou pelo menos um cigarro de maconha. Inclusive os dois últimos presidentes do país, George W. e Bill Clinton.
Para completar o quadro, o 1º presidente americano, George Washington, ainda na época da independência, 1776, plantava maconha.

Shopping

Em 1987, o número de shopping centers superou o número de high schools (as escolas secundárias) nos EUA: 32 563. Hoje, há cerca de 50 mil shoppings por lá. Para 93% das adolescentes, ficar passeando no shopping é a atividade favorita. O americano médio passa 6 horas por semana vendo lojas. Quando vai para casa, atende cerca de 300 ligações de telemarketing por ano.

O americano compra tanto, mas tanto, que vira e mexe faz um garage sale (um feirão particular) para vender tudo o que comprou no mês passado e abrir espaço para novas aquisições. O que ele compra? TVs maiores. E flamingos (!). Uma pesquisa mostrou que 250 mil flamingos são vendidos todos os anos nos Estados Unidos.

Comida

Para o americaninho médio, o palhaço Ronald McDonald's é o personagem infantil mais famoso do mundo, logo depois do Papai Noel. Não é à toa que, quando cresce, cada adulto consome três hambúrgueres e quatro pacotes de batata frita por semana. De sobremesa, um sundae: o americano médio toma 1 tonelada de sorvete durante a vida. Talvez para economizar, um em cada oito americanos trabalha ou já trabalhou numa loja do McDonald's.

Em compensação, 60 milhões de americanos são obesos. Quando a barriga não agüenta mais e até a consciência pesa, ele come um lanche diet, cujo mercado já movimenta 34 bilhões de dólares por ano, o que daria para pagar metade dos juros da dívida do Brasil.

Lixo

A cada dois anos, os Estados Unidos poderiam fazer uma fila de caminhões de lixo lotados daqui até a Lua. Os americanos são apenas 5% da população mundial, mas geram 30% de todo o lixo do planeta. O lixo do americano médio equivale ao de 3 japoneses, 6 mexicanos, 14 chineses, 38 indianos, 168 bengalis e 531 etíopes. Durante toda a vida, o americano médio vai jogar fora 600 vezes o seu peso adulto. E do jeito que ele está engordando...

Religião

O americano médio é muito religioso. Existem entre 92 e 98 milhões de evangélicos convertidos hoje nos Estados Unidos. Um deles é George W. Bush, que se converteu depois de aprontar todas na adolescência. Segundo os dados da CIA, a população se divide em protestantes (52%), católicos (24%), mórmons (2%), judeus (1%), mulçumanos (1%), outros (10%) e ateus (10%).

Crime

Para um americano médio, lugar de bandido é na cadeia. Ou no caixão. Mas não necessariamente nessa ordem. Os Estados Unidos têm a maior população carcerária do mundo, com 2 milhões de presos, e são o 4º país que mais condenou prisioneiros à pena de morte. Aliás, o recorde entre os governadores ainda é de Bush: 150 pessoas condenadas à pena de morte passaram desta para melhor durante os 6 anos de seu governo no Texas.

A polícia americana é, proporcionalmente, a que mais dispara armas de fogo e mata em diligências ou perseguições. Para completar, nos Estados Unidos existe uma arma e meia para cada americano vivo e uma em cada 20 pessoas vai passar algum tempo na cadeia.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Dr. 90210: Da miséria na Lapa ao glamour hollywoodiano

O sonho americano se realiza para poucos, mas se há um bom exemplo do que é saber aproveitar as oportunidades da América, ele é Roberto Miguel Rey Junior, conhecido como Robert Rey ou apenas Dr. 90210.

Nascido no Brasil, ele abandonou a infância pobre em São Paulo para conquistar uma vida de luxo e riqueza em Beverly Hills. Atualmente, além de ser um dos cirurgiões plásticos mais famosos do mundo, Rey ganhou notoriedade mundial apresentando o reality show
Dr. 90210” (código postal de Beverly Hills), às quartas-feiras, às 21h, no canal E!.

O médico sonha, ainda, em substituir Schwarzenegger no governo da Califórnia e em se aposentar como missionário médico no Brasil.

Vida em São Paulo

O meu pai é americano, veio para o Brasil em 1946 e se casou com uma gaúcha. Ele era bem ruim, não ficava em casa, não trazia dinheiro e tinha amantes. Acabamos na pobreza. A gente viva em São Paulo, na Lapa, e eu dormia numa mesa. Já naquela época, eu estava mal-encaminhado, passava o dia nas ruas e roubava. Ia à escola, mas era péssimo aluno.

Missionários

Um belo dia, batem na nossa porta os missionários cristãos americanos. Parece um milagre, eles poderiam ter batido em todas as portas e bateram na nossa. Fizeram amizade com a minha família e, um dia, falaram para o meu pai: “Roberto, não está bom para as crianças aqui no Brasil. A gente leva elas para os Estados Unidos e as cria para você”.
Meu pai ficou contentíssimo, claro. Ele se livrou de 4 crianças de uma vez.

A ida para os Estados Unidos

Meu pai mandou a gente, para os Estados Unidos, num navio de carga velho e enferrujado. É a história clássica americana. Eu chego em Nova York e, de repente, vejo a Estátua da Liberdade. É o sonho americano. Eu sabia que era a oportunidade de fazer alguma coisa na minha vida. Aos 11 anos, já entendia que meu futuro no Brasil estava ferrado. Eu ia, sem dúvida, terminar numa cadeia ou morto. Então, a ida para os Estados Unidos, foi uma dádiva de Deus.

Família, cultura e religião

Eu chego lá [em Utah], encontro essa família de classe média, com 9 filhos. Eles tiraram os filhos de seus quartos e nos colocam para dormir lá. Eu nunca tinha visto uma coisa dessas na vida. Essa família pregava que tínhamos que estudar. Eu era forçado a ir ao teatro, a visitar os museus. Havia livros em todos os cantos da casa e muita música. Isso foi importantíssimo para a minha história, porque quando eu prestei os exames para a universidade, entrei com facilidade em Harvard.

Preconceito na pele

Os Estados Unidos foram muito bons para mim, mas, infelizmente o preconceito ainda existe. Eu apanhava dos meninos americanos na saída da escola. Estar aqui foi chave para o meu sucesso, mas não é o paraíso, não. Em Harvard também foi feroz, porque o cara da sua direita é filho do rei de algum país da Europa e o da sua esquerda é filho do Secretário de Estado americano. Isso não é piada, é verdade. Você é aceito na universidade, mas na verdade não é. Nos círculos sociais você não é aceito.

Carreira de ator e política

Terminei a faculdade e decidi ir para Hollywood. Durante os meus anos de universidade, fiz umas propagandas para ajudar a pagar o curso. Minha licença de médico é de 1993, mas a de ator eu tirei em 1980. Todo mundo fala que sou um médico virando ator, mas é o oposto.

No princípio, quando eu não tinha paciente, dirigia 6 horas para atender os mexicanos que trabalham na lavoura. Foi assim que meu interesse político começou, eu vi que eles eram realmente tratados como lixo aqui nos Estados Unidos.

Daqui a alguns anos, quero concorrer ao Congresso americano e, mais tarde, ao governo do Estado da Califórnia. Se o Schwarzenegger pode ser governador, por que não um latino brasileiro?

Modernidade

Na medicina, eu me sobressaí muito cedo. Saí de Harvard e cheguei aqui com novas técnicas da cirurgia plástica, 10 anos à frente dos outros. Eu posso levantar o rosto com um buraquinho na orelha, eu posso fazer os seios pelo umbigo, sem cicatriz.

Hoje em dia, como eu recebo 50 mil telefonemas, cartas e e-mails ao mês, posso escolher o que eu gosto de fazer: nariz, lábios, seios, barriguinha, bumbum e vagina. A labioplastia, cirurgia dos lábios da vagina, poucos médicos no mundo sabem fazer. Eu faço bumbum com implantes lindos, faço implante de água nos lábios que você pode aumentar ou diminuir. Faço só cirurgia sensual, que deixa o pessoal contente. Não quero ficar 10 horas numa sala de cirurgia, ter que fazer transfusão de sangue, expor a paciente a situações de risco.

35 consultas ao dia

Antigamente, levava 1 ano de espera para a consulta e mais 1 ano para a cirurgia. Melhorei muito, hoje em dia são necessários 3 meses para a consulta e geralmente fazemos a cirurgia 2 ou 3 meses depois. Eu atendo 35 pacientes por dia. Opero das 7h às 23h, todos os dias da semana, menos terça-feira e domingo. Estou operando 32 mulheres por semana. Faço uma seleção prévia das pacientes. Não é arrogância, mas é impossível atender todo mundo.

Ganhando a televisão

Em 2002, fiquei muito ofendido com o seriado “Nip/tuck”, porque mostra o cirurgião plástico como um playboy, uma pessoa que tem problemas com drogas e filhos ilegítimos. Então, escrevi com o meu agente um roteiro e mandei para o E!, onde já havia feito um especial sobre cirurgia plástica. Com uns poucos milhões, fizemos a 1ª temporada do “Dr. 90210”. Fiquei amedrontado, não sabia como ia ser recebido pelo público, mas foi um sucesso enorme.
Hoje, estamos em 173 países. Nos EUA, 44 milhões de americanos assistem ao programa.

Missão no Brasil

Todos os anos eu faço missões cirúrgicas. Acabei de voltar do Brasil, onde trabalhei com uma ONG em Ilhabela. Neste ano, vou para a China, Israel e quero ir para a África reconstruir as moças que tiveram suas vaginas mutiladas. No ano retrasado, fiz operações de lábios leporinos no México. Quero voltar para o Brasil, não como missionário evangélico, mas como missionário médico. Aos 60, 65 anos, eu volto permanentemente, com meus filhos já encaminhados e criados, eu volto para ficar.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Sobre o Amor...

"Fizeram a gente acreditar que o amor, amor mesmo pra valer, só acontece uma vez geralmente antes dos 30 anos.

Não contaram pra nós que o amor não é acionado, nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.

Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta.

A gente cresce através da gente mesmo.

Se estivermos em boa companhia é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.

Não nos contaram que isso tem nome: anulação.

Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que podemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.

Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho.

E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém."

(Autor: John Lennon)

terça-feira, 31 de julho de 2007

O véu de uma recordação cósmica

As estrelas nascem e morrem em um processo contínuo, desde o início do Universo. Mas como elas nascem, o tempo que elas vivem e como elas morrem são características ditadas pela sua quantidade de massa. Estrelas com mais massa têm uma vida de mais luz, mais calor e mais brilho, mas morrem mais rápido em explosões de supernovas espetaculares. Uma dessas explosões ocorreu há uns 5 ou 10 mil anos e espalhou elementos químicos pesados pela galáxia. Mas também deixou uma bela recordação.

Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra detalhes sem precedentes da Nebulosa do Véu, também conhecida como Laço de Cygnus, uma verdadeira bolha em expansão. Essa bolha foi criada por uma onda de choque se propagando a 600 mil quilômetros por hora, resultante da explosão de uma supernova. Quando essa onda se choca com o gás do meio interestelar, a temperatura atinge milhões de graus. Quando o gás esfria, começa a brilhar com cores variadas que denunciam as diferentes espécies químicas presentes nele. As imagens em si foram obtidas com a Câmera Planetária e de Campo Largo do Hubble e ressaltam emissão proveniente do enxofre, hidrogênio e oxigênio.

A Nebulosa do Véu tem sido sido usada como base para o estudo de remanescentes de supernova de “meia-idade”, ou seja, supernovas não muito recentes. Isso porque ela está a apenas uns 1.500 anos-luz e pode revelar detalhes fantásticos como esses, além de se espalhar por 3 graus no céu, representando quase o espaço ocupado por 6 Luas Cheias.

Alguns desses detalhes mostram que a nebulosa é formada por feixes de filamentos brilhantes e alguma névoa colorida permeando esses feixes. Tanto os filamentos quanto a névoa têm origem no mesmo princípio: a onda de choque. O que diferencia um caso do outro é a geometria; no caso dos filamentos, a onda de choque é vista de perfil, enquanto a névoa mostra a onda de choque vista de frente. Assim funciona o ciclo de enriquecimento químico da galáxia.

Uma supernova como essa que explodiu há 10 mil anos sintetiza e espalha elementos químicos no meio interestelar e esse material contamina o gás. Depois de milhões de anos, o gás pode se condensar e formar outras estrelas. Da mesma nuvem que formou essa estrela de segunda geração podem se formar planetas, que carregam os elementos químicos gerados lá naquela explosão. Essa é a origem de iodo, ouro, mercúrio e chumbo, por exemplo, que hoje temos aqui na Terra.