quinta-feira, 24 de julho de 2008

Palmas para o Chacrinha!!!

Quem é afinal a “Terezinha”? De onde veio a idéia de tocar uma buzina ensurdecedora no palco? Como se comportava na vida particular o pernambucano debochado José Abelardo Barbosa de Medeiras? Estas e outras perguntas serão respondidas na noite desta quinta-feira (24) no especial “Por toda a minha vida”, da Rede Globo, que irá homenagear o apresentador Chacrinha.
Normalmente dedicada a contar a trajetória dos grandes nomes da música nacional, a atração abriu uma exceção para homenagear o “velho guerreiro”, morto há 20 anos. “O Chacrinha não foi um cantor. Mas o palco de seu ‘cassino’ abriu espaço para diversos nomes da cena pop nacional”, explica George Moura, roteirista do “Por toda a minha vida”.
Tímido e reservado na vida particular, ele era José Abelardo Barbosa de Medeiras; com suas roupas coloridas e sua inseparável buzina, ele era Chacrinha, o maior comunicador que o país já viu. O especial narra seu nascimento em Surubim, Pernambuco, sua chegada ao Rio de Janeiro e o trabalho nas rádios, seu auge na televisão com o 'Cassino do Chacrinha' e a comoção que sua morte causou no Brasil, quando saiu de cena aos 70 anos. Trechos dramatizados e material de arquivo fazem parte da atração. Em homenagem ao apresentador que revelou grandes nomes da música brasileira, participam com depoimentos familiares, amigos, chacretes e artistas.
'Por Toda Minha Vida' relembra o Chacrinha que sempre estava cercado por belas mulheres, que adorava vestir roupas extravagantes, que jogava frutas, legumas, bacalhau e até penicos na platéia. Para realizar suas brincadeiras, contava com Russo, seu fiel assistente de palco. O programa revive ainda as buzinadas em calouros e o talento do apresentador para revelar novos cantores. Em depoimento, vários artistas reverenciam o Velho Guerreiro.
Nascido em Pernambuco, Chacrinha deixou sua terra natal, mas sempre se inspirou no clima festeiro e nas cores do Nordeste. Aos 21 anos, decidiu seguir de navio para a Alemanha. Porém, o destino e a segunda guerra mundial que agitava o mundo em 1939 o fizeram desembarcar no Rio de Janeiro. A cidade vivia a "era do rádio" e ele ficou fascinado com o trabalho e a fama dos locutores. Até 1942, ele nada conseguiu, pois estava decidido a estudar medicina e durante três anos esteve na universidade. A partir daí, deciciu se entregar à comunicação. Recorrendo ao material de arquivo, em uma entrevista para Marília Gabriela, ele mesmo aparece explicando como realizou seu sonho.
A vida de Abelardo era bem diferente do glamour do seu cassino imaginário. Ele acumulava empregos em várias rádios e fazia bicos de todos os tipos para ganhar um pouco mais de dinheiro. No final dos anos 50, a televisão estava no ar e a história da comunicação de massa tomou um novo rumo. Chacrinha usou elementos do rádio para criar uma receita inédita e infalível que permaneceu, com grande sucesso, por mais de 20 anos. O segredo: descontração, improviso e muito humor. 'Por Toda Minha Vida' também relembra o sucesso das chacretes, a idéia de tê-las no palco e as histórias que até hoje divertem quem conviveu com o apresentador.
No início da década de 70, Chacrinha era um sucesso. Famoso em todo o país, ele vivia o auge de sua vida profissional. Os altos índices de audiência não lhe deram tranqüilidade nem serviram como desculpa para a aposentadoria. Perfeccionista e apaixonado pelo trabalho, ele sofria com as cobranças que se impunha. Com quase 70 anos, todas as semanas, comandava um programa com mais de 3 horas de duração, onde ele próprio fazia questão de opinar em todos as etapas. No rádio, na televisão, em casas noturnas e em estádios por todo o país, Abelardo Barbosa trabalhou, sem parar, por quase 50 anos. Em 1988, ele não conseguiu driblar a fragilidade de seu corpo, faleceu no dia 30 de junho.
'Por Toda Minha Vida' Chacrinha tem direção de núcleo de Ricardo Waddington e direção de Pedro Vasconcelos. Com reportagem de Fernanda Scalzo, a atração é escrita por Maria Camargo e tem redação final de George Moura. A apresentação é de Fernanda Lima. O programa vai ao ar hoje, 24 de julho, logo após a exibição de 'Casos e Acasos'.
Alguns desses nomes darão depoimentos no programa. Caso dos cantores Elba Ramalho, Sidney Magal, Alceu Valença e Lulu Santos – todos habitués do palco do “Cassino do Chacrinha”. “O Lulu deu a melhor definição para a importância do que o Chacrinha fez pela televisão brasileira: ele estabeleceu a desordem”, diz Moura. Cúmplices pontuais dessa “desordem” que um dos maiores comunicadores populares do país promovia na TV também contarão suas histórias. A jurada Elke Maravilha, as ex-chacretes Marlene Morbeck e Rita Cadilac e o assistente de palco Russo estão entre eles. “Chacrinha foi um mago. Ele via um talento, botava na palma da mão e a pessoa florescia”, opina Elke. Mas não é só a farra do “Cassino do Chacrinha”, que ficou no ar por 6 anos embalando as tardes de sábado do espectador nos anos 80, será contada no programa-biografia, garante o roteirista do “Por toda minha vida”. “O Chacrinha estudou medicina, foi baterista de um conjunto musical na Europa... É muita coisa que a geração de hoje nem imagina”, conta Moura.
Chacrinha até em cima do telhado
O escolhido para reconstituir os anos dourados de Chacrinha no especial foi o motorista de ambulância aposentado Hélio Vernier, de 73 anos. Atualmente ele engorda a conta bancária como sósia do “velho guerreiro”. “Animo festas de firmas, churrascadas, concursos e tudo que é agito que me convidarem. Mas agora que a Globo me deu essa colher de chá, quem sabe não viro ator?”, sonha Vernier. Morador de São Caetano, região do ABC paulista, Vernier diz que tem orgulho de ser um “clone” do Chacrinha. “No meu bairro, se você perguntar pelo Helinho, ninguém vai saber quem é. Mas se você disser que está procurando o Chacrinha, o pessoal me acha até em cima do telhado”, brinca. Para viver o personagem, Vernier conta que teve aulas de interpretação, assistiu várias performances de Chacrinha e teve a consultoria de um fonoaudiólogo para encontrar o tom de voz do apresentador. “Ele era um gênio. Adoro ter essa semelhança física, quem não gostaria de ser parecido com o Chacrinha?”, questiona.

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