terça-feira, 15 de julho de 2008

Ele foi chamado de retardado, preguiçoso, sonhador, exemplo e até de herói. Hoje, já pode ser chamado de escriturário

"Dizem que ele passou em um concurso do Banco do Brasil. Não sei se é verdade. Mas até fizemos uma cota e juntamos dinheiro para ele tirar os documentos. Só sei que, depois disso, ele sumiu e não voltou", afirmou um dos taxistas do Mercado da Madalena. Era 18 de junho.
Há menos de 1 mês, a história de Ubirajara ainda era uma lenda urbana daquelas em que mais gente duvida do que acredita. "Um mendigo pode ser contratado?"; "Como ele fez as provas sem ter documentos?".
As perguntas eram inevitáveis e ninguém parecia capaz de responder com um mínimo de certeza, contar a história dele e muito menos dizer onde era possível encontrá-lo. Mas Ubirajara existia.
No Google, havia 14 registros para o seu nome completo. Todos em fóruns dedicados à concursos públicos. O nome dele aparecia sempre numa lista com 171 nomes. Era o 163º da tal lista dos aprovados. Sim, era o mendigo Ubirajara.
Mais tarde, ele estava sentado no chão de uma calçada do bairro das Graças. Unhas sujas, roupa gasta, dias sem banho. Ali, atravessou a madrugada contando sua história. 24 horas depois, essa história estava na capa do Diário de Pernambuco. Na reportagem, ele disse que se sentia invisível. Da invisibilidade à superexposição em poucas horas.
Naquele mesmo dia, Ubirajara já apareceu em um programa de televisão local. E assim sua história foi sendo contada e recontada. Ontem à noite, o mesmo Google registrava incríveis 9.260 páginas com o nome "Ubirajara Gomes da Silva". Estava nos maiores portais de notícias; foi destaque nas 2 maiores redes de televisão do Brasil; apareceu em jornais de Rondônia ao Rio Grande do Sul; ganhou comunidade no Orkut; vídeos no Youtube; citações em milhares de blogs.
Saiu da rua, ganhou um quarto na casa de um amigo, roupas, refeições diárias, 10 quilos a mais e um telefone celular que não pára de tocar. Tem sempre alguém, em algum lugar, que acaba de descobrir sua história e quer contá-la mais uma vez.
Hoje termina a saga iniciada pelo Diário de Pernambuco naquela madrugada de junho. A última reportagem. O 1º dia ... A cabeça encostada na parede. O olhar para o alto, meio perdido. O que Ubirajara Gomes da Silva estaria pensando naquele exato instante? Sentado na última fileira de cadeiras azuis de uma das salas de conferência do nono andar do edifício central do Banco do Brasil, no Bairro do Recife, o ex-morador de rua estava exatamente no lugar onde sonhou - e por muito tempo, apenas sonhou - estar. Mas sua cabeça parecia longe dali.

Distante das palavras do discurso de boas vindas que a gerente de gestão de pessoas, Helda Madruga, fazia para recepcionar os 25 aprovados no concurso público para a função de escriturário. Era o 1º dia de cada um dentro do banco. E 24 pares de olhos quase não piscavam - hipnotizados ao datashow que jogava informações sobre o futuro deles em um quadro antes branco. E os olhos de Ubirajara continuavam distraídos, dispersos, inquietos. Para o alto. Para os lados. Para o chão. Afinal, o que estaria passando pela cabeça dele?

"Pensei em toda minha vida. Em tudo o que passei nos 12 anos e nos últimos dias. Foi tudo muito rápido e agora, de repente, já estou aqui", contou.
Todos naquele prédio sabiam quem era Ubirajara e seriam capazes de contar - possivelmente com tom épico - passagens da vida dele. Sabiam que aquele homem de camisa social bem passada, calça jeans e tênis novos, cabelos e unhas bem cortadas, há 20 dias era um mendigo. Dormia encolhido com os braços dentro da blusa em calçadas e bancos de praça da zona norte do Recife. Usava uma mesma roupa a semana inteira. Passava dias sem tomar banho. Sequer tinha escova de dentes. Viveu assim por mais de uma década. Dos 15 aos 27 anos, em noites marcadas pelo medo e por todas as formas de violência; e em manhãs e tardes debruçado em anotações de livros que copiava em bibliotecas públicas. Dizia por aí que, um dia, passaria em um concurso público. Era chamado de louco.
De repente, o então disperso Ubirajara levanta timidamente o dedo indicador da mão direita. Pede a palavra e abre um sorriso. Todos na sala voltam o olhar para ele. "Eu quero ser gerente de pessoa jurídica", afirma com firmeza. Na verdade, era uma resposta para a pergunta feita pelo gerente de suporte operacional que, coincidentemente, também se chama Ubirajara. O gerente Ubirajara lançara no ar uma espécie de desafio para os recém-chegados. "Onde vocês querem chegar aqui no banco?". Apenas um dedo foi levantado - rompendo a timidez coletiva.
E, dessa vez, ninguém o chamou de louco.

Encerrada a apresentação inicial, era hora da simbólica assinatura de contrato e do recebimento do crachá provisório - já que agora, ele começa um período de 90 dias de experiência para só então ser realmente contratado. Todos receberam os documentos em suas cadeiras, exceto Ubirajara. Ele foi chamado para a frente da sala. Levantou meio envergonhado. Acompanhado por 4 câmeras de emissoras de televisão. Seus dias tem sido assim desde que sua história deixou de ser uma espécie de lenda urbana e ganhou a capa do Diário de Pernambuco no dia 20 de junho.

A mídia e a internet transformaram o morador de rua em uma dessas celebridades relâmpago. Para muitos, um exemplo. Um herói popular que conseguiu desviar a lógica natural de uma sociedade. "Agora me chamam até de lindo!", diz Ubirajara. Ironia e o senso-crítico são 2 características que ele não costuma esconder. Assim como não costuma se emocionar. Já com o cordão do crachá no pescoço, ele disse apenas estar um pouco tonto. Foi para o banheiro lavar o rosto e, depois, saiu para tomar um café. Parecia querer despertar. Mas não era sonho. Não mais.

Baseado em fatos reais

Ubirajara já chegou ao banco no carro de uma emissora de televisão. na escada, mais 4 equipes de imprensa o esperavam. Cada passo foi filmado e fotografado. no final, depois de assinar o contrato, ele riu e desabafou: "não é possível que amanhã vai ter repórter aqui. Quero começar a me sentir normal outra vez"
Fonte: Diário de PE (http://www.dpnet.com.br)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Filhotes de leão branco encantam zôo

O zoológico de Schloss-Holte Stukenbrock, na Alemanha, está comemorando um evento duplamente raro: 2 leoas brancas deram à luz simultaneamente, de forma que o parque agora abriga 7 filhotes de pelagem branca. O aspecto único dos bichos se deve a um gene recessivo, resultado de uma mutação natural. Não existem mais leões brancos na natureza, embora haja algumas centenas de representantes da variedade em cativeiro no mundo. 3 dos bebês foram rejeitados pela mãe e estão sendo alimentados com mamadeiras. No dia 11 de julho, o zoológico de Mulhouse, no leste da França, também comemorou o nascimento de 2 filhotes de leão asiático. Um deles foi fotografado ao lado da mãe, Sita.
Fonte: Reuters (G1)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Um certo Tchaikovsky

Foi assim que Tchaikovsky Johannsen Adler Pryce Jackman Faier Ludwin Zolman Hunter Lins veio parar nesta página de jornal. Um curioso se interessou pela combinação de 9 nomes e somente 1 sobrenome, teve acesso ao prontuário do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) - órgão da Secretaria de Defesa Social (SDS) que emitiu a carteira de identidade daquele cidadão - copiou o documento e distribuiu e-mails apresentando como se fosse piada, coisa de circo, de outro mundo.
Mas, a mesma internet usada para espalhar o inusitado também deu outras pistas do dono do nome, um menino de 17 anos, admirador de música clássica, regente de coral, autodidata em alemão, arrimo da família e morador da Mangueira, bairro simples na Zona Oeste do Recife. E essa história, essa sim, vale a pena distribuir em e-mails e contar nessa página.
A ópera do nome
O pai de Tchaikovsky, Ricardo, precisou procurar a Justiça para fazer a certidão de nascimento do filho com os 9 nomes e somente 1 sobrenome. "O 1º cartório não quis fazer o registro de jeito nenhum. O 2º me pediu para procurar um juiz e trazer uma autorização por escrito. Foi o que eu fiz. O juiz achou esquisito um nome tão grande, todo estrangeiro, me falou da dificuldade de tirar outros documentos, mas eu não desisti. Eu tinha certeza que estava fazendo a coisa certa", recorda o pai. Ricardo tinha certeza, apesar do detalhe: quando ele procurou a Justiça, apresentou 19, em vez de 9 nomes próprios. O juiz fez Ricardo abrir mão da metade. A carteira de identidade e o CPF contam outra parte da ópera que é a vida desse menino, desde o seu começo. "A gente passou uma manhã e uma tarde todinha no Instituto Tavares Buril porque o nome completo não cabia na cédula de identidade. Foi preciso esperar o programador de informática diminuir o tamanho das letras no computador, para entrar o nome todo.
Por lei, nenhum nome pode ser abreviado no RG ou CPF. Não sei como a Receita Federal deixou passar no CPF três nomes (Pryce, Zolman e Hunter) somente com as iniciais", estranha Ricardo.
Tchaikovsky aprendeu a ler e a escrever em casa, com a mãe, Jane. Depois do alfabeto, ela ensinou o menino a fazer o próprio nome, completo. "Nesse tempo a gente teve que tirar ele da escola porque, de tanto ser repreendido por uma professora, ele ficou traumatizado. Não queria mais ir para escola alguma. Então, se eu estava desempregada, podia ficar com ele, educando e trabalhando a cabecinha dele. E eu fui aos poucos tirando o medo dele", diz Jane.
Tchaikovsky não levou mais do que 2 meses para fazer o próprio nome, letra por letra. "Ele nunca estranhou o tamanho do nome. Sempre achou normal. Porque tudo mais na vida dele sempre foi normal. Ele tem uma família que se esforça e tem amor".
O menino continou levando na boa. No colégio onde faz o 3º ano do ensino médio, ele é Tchaikovsky ou Lins, na lista de chamada. No trabalho, ele é estagiário da Celpe, mesmo com muita timidez - tal como o famoso compositor russo de música clássica Tchaikovsky - ainda explica a origem do nome aos colegas. "Eu preciso ir a muitos andares do prédio. Quando eu entro numa sala e me apresento, tenho que repetir. Aí, junta todo mundo do setor para ouvir eu explicar os nomes. Muita gente acha interessante", conta Tchaikovsky, chamado em casa e pelos colegas de "Tchai".
E o que "Tchai" explica é o seguinte: "Eu não era para ter nascido. Então, como filho único que eu seria, meus pais quiseram me dar um nome especial. E a música clássica é uma coisa especial na nossa família. Minha mãe e meu pai se apaixonaram através da música clássica. Então, eles escolheram o meu nome nos discos de vinil que tinham em casa. Tchaikovsky foi de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, um dos mais importantes compositores russos. Johannsen veio de Arne Johannsen, um regente alemão. O Pryce foi de outro regente, Yuri Pryce. Ludwin deveria ser do mestre alemão Ludwig van Beethoven, mas saiu errado no registro". Somente Zolman e Lins não têm origem na música. O 1º, segundo "Tchai", é bíblico. "Do hebráico significa homem gerreiro", ensina. Lins é o sobrenome da família. "Se eu tivesse nascido menina, seria difícil. Porque existem poucas musicistas clássicas", acrescenta.
Do vinil ao celular
Os discos de vinil que inspiraram o nome do menino estão guardados como relíquias na estante da sala e sobre guarda-roupas. Um dos mais valiosos é do 'O Lago dos Cisnes', 1º balé com orquestra do mundo, criado justamente pelo russo Tchaikovsky e encenado nos 4 cantos do planeta, desde 1877 - quando estreou no Teatro de Bolshoi, em Moscou, na Rússia. Mas a radiola toca também Antonio Lucio Vivaldi, Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart. A família justifica o gosto, em coro: "Traz calma, serenidade. Faz a gente viajar".
Samba, funk, brega, nada mais entra em casa. As óperas e outras obras que o pai baixa no computador ficam salvas em CDs e no celular de Tchaikovsky. O aparelho é também tocador de música. Ele dorme e acorda ouvindo aquilo que já conheceu no vinil. Dorme e acorda sonhando em ser um daqueles compositores, maestros ou regentes que estão nas capas dos discos. O parente musicista mais próximo da família Lins é um bisavô do menino, que foi maestro de bandas e fanfarras no município de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, a 187 quilômetros do Recife.
Solista do próprio destino
Do computador instalado no corredor da casa, os pais de Tchaikovsky tiram as partituras para ensaiar. Ricardo e Jane são regentes de 3 corais de igreja. O menino vai no mesmo caminho. Mas sozinho. O solo de Tchaikovsky, da Mangueira, está sendo preparado por ele mesmo. "Nunca obrigamos ele a gostar de nada. Tanto, que só agora ele está se dedicando por vontade própria", diz a mãe. Enquanto não presta vestibular para física ou química no final deste ano - não estranhe a opção pelas ciências exatas porque música também é matemática, é cálculo - vai aprendendo a solfejar, ou, a distribuir as vozes, dar os tons, valores e a afinação de cada uma.
Para entender melhor as partituras, escritas principalmente em alemão, ele descobre o idioma. Tirou da internet as apostilas e o áudio de um curso gratuito. "A Alemanha é um berço da música clássica. Eu sempre me transporto para lá quando estou deitado na cama, ouvindo no celular".
Um dos desejos de Tchaikovsky é conseguir uma bolsa de estudo aqui mesmo, no Recife, para aprimorar o conhecimento em alemão. Neste mês, ele vai se inscrever no Conservatório Pernambucano de Música. O pai ensina o básico que ele precisa saber para passar pelos testes rigorosos. O curso "intensivo" se dá no programa de computador que imita um órgão - porque o de verdade está queimado, encostado no quarto do menino. "O piano é o instrumento mais completo. E eu desejo estudar muito piano", revela o aprendiz. Tchaikovsky também já está escolhendo o repertório que vai apresentar no concurso de música promovido pela empresa onde ele trabalha, este ano.
O 1º ato
Mas a história de Tchaikovsky Johannsen Adler Pryce Jackman Faier Ludwin Zolman Hunter Lins, que um dia foi resumida a uma piada na internet, nem era para ter existido. Nem era para estar aqui, nessa página de jornal. A mãe, Jane Silva, e o pai, Ricardo Lins, tinham problemas de saúde e financeiros que impediam a gravidez e a criação de um filho. Mas ela, principalmente, não abria mão da maternidade. E, quase como num milagre, Jane conta, engravidou, depois de 2 anos de casada.
O sexo do bebê só foi descoberto pelo casal na hora parto. Jane e Ricardo queriam e pressentiam que seria um menino mesmo. E desejavam tanto, que nem em nome de menina os dois pensaram. Os 9 nomes próprios e somente 1 sobrenome foram o jeito de marcar aquele acontecimento de 11 de janeiro de 1991. O casal descobriu depois que não podia ter mais filhos. Tchaicovsky Lins, que nem era para ter nascido, hoje ajuda a criar a família, digamos assim. É estagiário da Celpe. Trabalha como auxiliar administrativo do departamento jurídico da empresa, desde março passado. Pelas 4 horas de expediente, de segunda a sexta-feira, recebe a remuneração de R$ 415 e passagens de ônibus. Também terá direito ao 13º salário proporcional ao tempo de trabalho.
O início dessa experiência, sorte de pouco jovens brasileiros, está escrito justamente na internet. No site de pesquisa Google, o nome completo do menino aparece na lista de alunos dos cursos de capacitação do programa federal Primeiro Emprego, criado em 2002 para colocar jovens carentes no mercado de trabalho. "Fiquei sabendo desse programa pelo jornal. Levei logo o currículo do meu filho à Agência do Trabalho, na Rua da Aurora, no centro da cidade. Depois de uns 8 meses recebi um telefonema do Instituto Empreender, dizendo que Tchaikovsky tinha sido escolhido para participar de um curso de auxiliar administrativo com o Projeto Enter Jovem. Esse instituto é que banca as aulas, junto com o Governo do Estado.
Mas aí, começou outro drama. Como ele ia estudar no colégio e no programa, se a gente não tinha carro nem dinheiro para as passagens?", lembra Jane. De bicicleta, claro, único meio de transporte da família. Foi o pai quem levou Tchaikovsky na garupa para o Colégio Ferroviário, no bairro de Afogados, onde fez o curso de capacitação, no Bongi, e daí para casa, na Mangueira. A "magrela" foi um presente que o casal ganhou de uma congregação por ajudar a criar e a reger o coral de que faz parte - a família é evangélica. O esforço nos 3 turnos do dia valeu - e vale - tanto, que Tchaikovsky foi eleito o representante da turma e entrou no trabalho antes mesmo do curso acabar.
O menino continua estudando, fazendo uma espealização de auxiliar administrativo no Senac. "A gente tem 2 medos: um é que ele vá para o Exército. O outro, que ele não seja efetivado na Celpe, depois que terminar o estágio, em dezembro que vem", confessa a mãe.
Ricardo é técnico em contabilidade e Jane, auxiliar de enfermagem. Ao contrário do filho, tiveram que largar os estudos no ensino médio para se sustentar. Hoje, nem estudos nem trabalho. Há 6 anos, os dois estão desempregados. São remunerados quando os "irmãos da igreja podem contribuir" - daí porque a bicicleta fica guardada na sala de estar da casa de 2 cômodos.
A música de "Tchai"
Curiosamente, o 1º contato do famoso compositor Tchaikovsky com a música foi aos 5 anos de idade. A mãe dele usou um órgão mecânico velho que havia em casa para ensinar árias da moda. A vontade da família era que o menino russo fosse advogado.
Perto dos 20 anos, porém, ele negou qualquer vocação para o direito e foi estudar música no Conservatório de São Petersburgo, na Rússia. Qualquer pessoa nessa idade é considerada, pelos especialistas, velha demais para estudar música. E ele não fugiu à regra. Aos 21 anos, apesar de conhecer e gostar de Mozart, o jovem não ouvia nem tinha a menor idéia de quantas sinfonias Beethoven havia escrito.
Mas ele sabia, assim como Tchaikovsky da Mangueira, o que a música poderia lhe dar. E sabia tanto, que antes de morrer, aos 53 anos, já havia criado balés, sinfonias, óperas e concertos executados até hoje, no mundo inteiro. Costumava dizer que "música é vida interior. E quem tem vida interior não está sozinho". E isso, certamente, Tchaikovsky Johannsen Adler Pryce Jackman Faier Ludwin Zolman Hunter Lins, aos 17 anos, já aprendeu, já pode até ensinar.
Fonte: Diário de PE (http://www.dpnet.com.br)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Cinderela é humor para quem agüenta

Como não ser fã deste cara?” Responde apressado um fã, quando perguntado se gosta de Cinderela, personagem vivida pelo ator Jeison Wallace. Ele não tem tempo a perder. Veio de Casa Amarela, com uma amiga e um amigo. A pressa é para não assistir em pé à estréia de 'A Escolinha da Cinderela', na sexta passada, no Teatro do Parque. Razões não lhe faltavam. Os ingressos esgotaram-se com a rapidez de um show dos Rolling Stones em Londres. A venda de ingressos superou a quantidade de poltronas do teatro. Foi preciso colocar cadeiras no corredor e muita gente mesmo em pé. A grande maioria veio por causa do programa diário, que Cinderela e sua turma apresentam pela TV Jornal. Depois da peça, na calçada, esperando a chuva passar para não estragar a chapinha, uma moça conversava com outra: “É engraçado, mas é muito pesado. Acho que o pessoal vem pensando que vai ser igual ao que vê na TV”.
Bota peso nisso! Na França há a tradição do grand guignol, um teatro popular, onde a violência é o principal personagem. Cortam-se pulsos, pés, mãos, cabeças, o sangue dá no meio da canela. O teatro da turma da Cinderela é o grand guignol da baixaria. Aqui não há meio termos, pé no freio. O politicamente correto passa longe. Nas quase 2 horas de espetáculo, há pano pras mangas para protesto de qualquer minoria. De racismo a homofobia. Em um dos esquetes, há uma curra de um anão pelos personagens masculinos, que antes pintavam e bordavam com uma boneca inflável. 2 rapazes da platéia são “convidados” para participar da escolinha. Um deles erra a lição e paga uma prenda. De olhos vendados, é obrigado a ficar de cócoras, como se fizesse uma necessidade fisiológica. Cinderela diz que vai levantar o rapaz por um fio de cabelo. Pega um cabelo da vítima e, súbito, aplica-lhe o indicador no traseiro. O rapaz fica automaticamente de pé. A platéia exulta. Mistura de teatro de revista (sem as mulheres exuberantes deste) com pastoril profano (sem as moças vulgares destes outros). A escolinha da Cinderela pode ser vista como grotesca por uma pequena parte da sociedade, mas reflete o que fala, pensa e diz a periferia. Quem estava no Teatro do Parque não era a burguesia e, sim, o povão que voltou de ônibus para o Ibura, para os altos da Zona Norte, Muribeca, ou Três Carneiros. É o equivalente no humor às bandas de fuleiragem music. Com uma diferença básica. Por trás da Escolinha da Cinderela não há empresário milionário, nem a peça é levada a praças patrocinadas com dinheiro público. Quem foi ao teatro pagou pelo que queria ver e ouvir. Fonte: JC (http://www.jc.com.br)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

André Valli: O eterno Visconde de Sabugosa

O ator era pernambucano e tinha 62 anos. Nasceu no Recife e estreou no Rio, em 1965, com a peça "Roda viva" de Chico Buarque. Ele atuou em 15 novelas. A 1ª delas foi "O cafona", em 1971.

No teatro, foi diretor de muitos espetáculos e alguns musicais. No cinema, representou papéis em 11 filmes. Na minissérie "Hoje é dia de Maria" o ator se destacou com o personagem Asmodeu Mágico. Um de seus últimos sucessos foi a novela "Laços de família", de Manoel Carlos.
Mas a carreira de André Valli ficou mesmo marcada pela obra de Monteiro Lobato. Durante 10 anos, ele interpretou o Visconde de Sabugosa, no Sítio do Pica-Pau Amarelo, um boneco feito de sabugo de milho que, deixado entre os livros, se tornou um sábio inesquecível.

André Valli morreu na manhã da sexta-feira passada (20), em casa, vítima de câncer. Ele descobriu há 1 mês que tinha câncer e chegou a fazer alguns tratamentos paliativos, mas não resistiu e morreu em casa, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A informação foi confirmada por um amigo da família.O corpo do ator foi velado no Teatro Villa-Lobos e o enterro aconteceu no cemitério de Santo Amaro, em Recife.

Segundo um amigo da família, André era filho único. Ele conta que o ator faleceu sem realizar um grande desejo. "Ele era um ator de teatro. O grande amor da vida dele era Nelson Rodrigues. Ele interpretou vários personagens de Nelson e seu sonho era montar Dom Quixote."

André Valli trabalhou em várias novelas da TV Globo, entre elas "O Bem Amado", "Pecado Capital", "Escrava Isaura" e "Laços de Família". Atualmente era contratado da Record, onde chegou a trabalhar em 2 novelas.